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Indicadores de Juruti - Monitoramento 2009

GVces

Apresentamos aqui o primeiro monitoramento dos Indicadores de Juruti, fruto de um trabalho do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces) em conjunto com a população de Juruti, Pará, e apoio da Alcoa.

A origem deste trabalho remonta a 2005, quando a Alcoa convidou a Fundação Getulio Vargas e o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) a apresentar uma proposta de modelo de desenvolvimento local de longo prazo para Juruti, que à época enfrentava o início de grandes e profundas mudanças em sua realidade, com a chegada da empresa para um projeto de mineração na região.

O modelo apresentado, denominado "Juruti Sustentável", parte de quatro premissas e um tripé de intervenção. A primeira premissa é a participação ampla e efetiva da sociedade. A segunda assume que as transformações geradas pela implantação da mina de bauxita em Juruti extrapolam os limites municipais. A terceira, que essas transformações se dão dentro de um contexto de dinâmicas de desenvolvimento regional. A quarta premissa é a necessidade de uma contínua internalização da sustentabilidade dentro da empresa.

O tripé de intervenção contempla a criação e articulação de um espaço de mobilização social, a construção de indicadores para monitorar as transformações sociais, ambientais e econômicas de Juruti e região, e a formação de um fundo de apoio a projetos de desenvolvimento local.

Em 2007, a FGV foi convidada pela Alcoa a construir os indicadores de monitoramento, enquanto iniciativas paralelas conduziam a implementação dos outros dois pilares do modelo. Com as premissas do "Juruti Sustentável" em mente, a FGV tinha dois importantes desafios: construir os indicadores por meio de um processo que garantisse a participação ampla e efetiva da sociedade local e desenvolver uma metodologia para a definição de um território de monitoramento.

Foram dois anos de trabalho, com o envolvimento de mais de 500 representantes de instituições locais e regionais, uma série de pesquisas, oficinas e reuniões para a construção dos indicadores e a coleta de dados, além de um amplo levantamento bibliográfico e de campo para a definição do território a ser monitorado.

O "retrato" que apresentamos nesta publicação - e o contínuo monitoramento do desenvolvimento de Juruti - pode alimentar espaços públicos de articulação política, tais como os conselhos municipais e o Conselho Juruti Sustentável (Conjus), bem como outras instâncias de participação, com informações sobre as transformações - esperadas ou indesejadas - ocorridas em Juruti. Os indicadores têm a possibilidade tambémn de subsidiar e orientar as políticas públicas municipais, estaduais e federais, o investimento das empresas na região, além de instrumentos financeiros colocados à disposição da comunidade, como o Fundo Juruti Sustentável (Funjus). Essencialmente, os indicadores podem ajudar a população a conhecer qual é a situação das principais questões relacionadas ao desenvolvimento do município, assim como definir e apontar quais prioridades e caminhos a seguir.

Os indicadores são um instrumento em construção, que deve ser aprimorado ao longo dos anos. Alguns temas importantes trazidos pela população de Juruti não são apresentados, em razão da falta de dados oficiais ou registros sistematizados. Será preciso um esforço coletivo para que os indicadores possam melhor atender as expectativas e necessidades do município, uma vez que a qualidade dos resultados é inseparável da capacidade de apropriação da ferramenta pela população local.

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